Consulta

Preparo-te um banho de emergência. Preocupavas-te tanto com os amigos que por vezes não entendias quando era humor. Era o que lhe chamava a minha mãe, Zé. Eu sei que é imersão. Não consigo, não tenho força. Deixa, dou-te banho como ao António. Então antes traz-me a máquina de barbear, não vão pensar que estou a fingir-me doente. Pois, tem cuidado, as aparências iludem… a seguir, a banhoca, fiz-te mais quatro furos no cinto, tinham que ser medidos ao centímetro, que tu gostavas das coisas bem feitas. Acachapaste o tufo de cabelo, que nunca tocavas para não cair, e que parecia barbas de milho, da químio. Conseguiste guardá-lo até ao fim, sacana. Traz-me tempero, por favor. Onde está? É um gajo musculado que mora em cima do autoclismo. Encontro o frasco de perfume e trago-te. Borrifas a pôpa. Ponho mais um bocado? É que não quero que a médica pense que me estou a fazer a ela. Não, Zé, não ponhas, que é melhor. Tu andas fraquinho para as quecas. Pois…

À tarde sabemos que aqueles tijolos logo abaixo do estômago não é prisão de ventre, é o teu exponenciável fígado, e que perdeste a guerra. Retiram-te a químio e dizes-me que já tens o passaporte na mão. Lembrei-me então das berlaitadas que me deste quando fiz o 5º e o 7º anos antigos em dois meses. Quando chegavas a casa e não vias a mesa repleta de livros escolares davas-me uns carolos e não me deixavas ir ao Rock House. Eras só dois anos (nem isso) mais velho que eu. E fiz o 7º, na casa onde morava o louco, o isto e aquilo, mas onde a festa só começava à hora do jantar, porque até lá eu tinha que estudar. E mandavas-me fazer bolos porque sabias que não os sabia fazer. E cuspias na massa. E vestias-me a roupa da tua avó, para ficar como os neo românticos, porque não me gostavas rasta como era. Não me faças chorar, foda-se, vais-me dar carolos, mas a culpa é tua, porque me deixaste memórias desvairadas.

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Continuas muito bom

Tenho que ir ali a Coimbra num instantinho

Deixaram-te melhor que antes?

Post it

Não se esqueça de mim
Não se perca de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure no meu pierrô molhado
E vamos embora ladeira abaixo
Acho que a chuva ajuda
A gente a se ver

É do Caetano, pá!

E por aqui começou a chover, a sério.

O barco vai de saída

Atão, Karlitus, ainda te bates pela tua inocência? Boa saída, já que a chantagem não surtiu efeito. Olha lá para a tua família de frente, que tens lata para isso. Pena pena é que o recurso ao Supremo te permita, a ti e aos outros ficar cá fora. E sempre vais pôr os outros nomes no teu site? Bute lá, já que ameaçaste que se fosses ao fundo não ias só.

Viva, viva!

Que saudades! Senti tanto a tua falta.

Sim, tu, o do vintenove.