India Velha

Entradas marcadas como ‘Grécia’

O trolha

Dezembro 12, 2008 · Deixe um comentário

Não tenho nada contra o trabalho mas quando andava no liceu havia O MEDO DE SER LIVRE PROVOCA O ORGULHO DE SER ESCRAVO pintado em cada parede. 

Usávamos todos calças de bombazina pretas e camisas de flanela aos quadrados e botas alentejanas, mesmo no pino do verão.

Tínhamos 15 anos. 

Bem vistas as coisas, andamos todos a empilhar tijolos orgulhosamente. Os mesmos exactos tijolos que atirávamos nas manifs. 

Que farão os jovens gregos com os seus, dentro de 10 anos? Gostava de ser mosca.

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Estado de graça

Dezembro 11, 2008 · Deixe um comentário

Atenas.jpgCrédito da foto: 

www.hurriyet.com.tr/


E vão dois! As revoluções, a par com a gravidez, são consideradas estados de graça. 

Dois governos tombados pela força comum. O da Tailândia, e agora o da Grécia que, se não cair, vai ficar muito abananado. E no período de uma semana! Não conheço a situação nem de um, nem de outro. Mas que cheira a Revolução, lá isso cheira!

E eu que temia que a populaça já só quisesse comprar plasmas…  Mas o eterno e no limite corajoso homem comum é ainda capaz de se zangar. Continua a alimentar as ganas de bater o pé.  Depois de um certo ponto a revolta deixa de ter volta. Foi imparável em Praga, em Paris/68, em 74 em Portugal, nas vésperas das eleições em Espanha depois de nossos vizinhos terem descoberto que Aznar manipulava as informações sobre o 11 de Março, tentando acusar a ETA do que todos nós cá fora sabiamos ser obra da Al Qaeda.  

Já em Portugal se tinha visto as imagens das fitas amarelas escritas em árabe que envolviam as mochilas dos bombistas e ainda ali em Ayamonte eu falava com as pessoas da rua e me espantava por ninguém saber a nacionalidade dos terroristas.

Só dois dias depois um punhado de eleitores se pespegou frente à sede do PP exigindo informações. Quando a polícia começou a pedir a identificação à meia dúzia de protestantes todos os que passavam empunhavam o seu BI e exigiam ser identificados também. Tornou-se complicado para um pequeno grupo de polícias, de bastão e escudo, anotar os dados das cada vez mais pessoas que se dirigiam ao local. Em minutos eram milhares.

No dia seguinte, Aznar perdeu as eleições.

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