Sim, ABORTO AGRAVADO é a acusação.
Réus: Uma menina, uma mãe, um pai, um namorado e uma médica.
Autos: Ela 16, ele 23. Fica grávida. Decidem falar com os pais. A mãe trabalha num hospital, fala com uma médica. A médica aceita a prescrição de Cytotec, medicamento para úlceras, abortivo enquanto efeito secundário, mas só se todas as partes estiverem de acordo. A menina toma o medicamento. Quatro dias depois entra nas urgências com hemorragia interna. É transferida para Lisboa. Acaba por morrer.
1. Quem engravidou?
2. Quem pediu para abortar?
3. Quem Morreu?
RESPOSTA: A RÉ.
1. Quem ajudou?
2. Quem conhecía o medicamento?
3. Quem se certificou que não era contra a vontade da menina?
RESPOSTA: Todos os que não iam abortar.
Quem se esvaiu em sangue, num hospital que não tinha condições para parar uma hemorragia interna?
RESPOSTA: A menina
A CULPA: Quem governava na altura? Quem mantinha o aborto proibido? Quem tem um hospital incapaz de tratar uma hemorragia interna? Quem é o papão que faz medo e não deixa que as meninas entrem no hospital assim que o caso dê para o torto?
RESPOSTA: A MENINA, MUITO PROVAVELMENTE.
Aborto agravado porquê? Porque é sempre chato se o caso se agrava e se a menina morre.
A MENINA QUE SE SEGUE? SENHA 23, FAXAVOR GUICHET 47. Do tribunal ou do hospital, Sô Dótori?
